O urbanismo e o Direito a ser Cidade

No dia 8 de novembro comemora-se a data mundial do Urbanismo, momento propício para repensar a nossa vida cidadã, nossas espectativas e sonhos, no bem viver e conviver no meio urbano. Desde os gregos e a antiguidade clássica, a cidade respirava  uma lógica que privilegiava o público, a àgora (praça), o areópago, em detrimento de outras funções mais privadas e setoriais.

Na idade média, o surgimento das comunas medievais e os Burgos, foram um movimento de emancipação que buscou concretizar a harmonia de quatro elementos: limpeza, segurança, regularidade e beleza, proibindo-se o lixo e o depósito de dejetos diante das casas. Mais tarde, pela difusão do coche, como meio de transporte, apareceram as avenidas. A revolução industrial fez perder a idéia de plano na polis e regularidade com o inchaço e a construção de moradias emergenciais (cortiços e favelas).

Isto motivou vários movimentos urbanistas multifacetados, como o romantismo naturalista, preocupado com a memória e o paisagismo, ou o funcionalista, com Walter Gropius, que quis fazer prevalecer a praticidade e articulação dos vários aspectos da cidade (político, econômico, cultural, espiritual e residencial). Nos dias de hoje, o urbanismo corre atrás da hegemonia financeira e da forte especulação imobiliária que toma conta dos espaços urbanos impondo seu valor mercantil.

Os trabalhadores e menos afortunados são empurrados para fora da cidade, perdendo o direito de mobilidade e consumindo seus parcos vencimentos com o transporte, além de gastar horas inteiras de sua vida para translados. Torna-se necessário uma nova centralidade nas cidades, retomar o espaço público, privilegiar a moradia popular e o equipamento social como também garantir sua sustentabilidade ambiental, oferecendo múltiplos lugares de lazer social e cultural.

A realização do 14º Intereclesial das CEBS, nos dias 23 a 27 de janeiro de 2018, em Londrina, com o tema: “CEBS e os desafios do mundo urbano“, vai trazer muita luz e propostas de ação para esta questão crucial para a Igreja e a sociedade. Para nós cristãos, Deus habita as cidades e foi nestas que se expandiram as primeiras comunidades que, na esperança e vínculos fraternos e solidários, testemunharam o sonho da Jerusalém Celeste, a cidade toda iluminada pelo Senhor, e sem portas, divisões

ou exclusões. Deus seja louvado!

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