Misericórdia é que eu quero, e não sacrifício”

A mais bela experiência humana é a do amor. A mais profunda e tocante certeza é a do amor de Deus por nós. O amor não é invenção humana. O amor é divino, vem de Deus, e Ele é o Amor.

Quero falar com você sobre a penitência que gostamos de fazer – e precisamos –, para dobrar a nós mesmos e nossas atitudes.

A penitência verdadeira me conduz à conversão. Mas não falo de silícios, de chicotadas ou qualquer outro tipo de punição que a pessoa possa impor a si mesma. A palavra penitência vem do latim e significa arrependimento, pesar, dor, compunção, contrição. Mas eu quero falar com você da penitência que conduz ao amor.

Abrindo o Evangelho de Mateus, encontramos Jesus dizendo, lá na casa do fariseu onde fora tomar refeição: “Misericórdia é que eu quero, e não sacrifício” (Mt 9,13). Essa é a compreensão que devemos ter como cristãos. De que adianta ficar o dia todo sem comer, mas não repartir o alimento com o faminto? Fazer este ou aquele sacrifício, mas faltar com a caridade? Não amar é o contrário de toda penitência. É rejeitar a experiência do amor que nos dá liberdade e paz.

A Quaresma é o tempo favorável para essa penitência transformadora, a do amor, e que precisa tocar profundamente nossa existência. A penitência que agrada ao Senhor é a da misericórdia. Olhamos para Jesus e vemos sua incessante presença junto dos pobres, dos pecadores, das prostitutas, das crianças rejeitadas, dos doentes, e a eles dando sua Palavra redentora e carregada de misericórdia. E quanta rejeição Ele suportou por causa de sua proposta libertadora e redentora.

Quem está acomodado em sua fé não gosta mesmo nem de ouvir a palavra libertadora que já lhe causa mal-estar. Esse mal-estar Jesus não evitou praticá-lo. Ele queria que a dinâmica do amor penetrasse a vida, o existir dos oprimidos. É a força contagiante de sua misericórdia tornando as pessoas verdadeiramente livres.

Por sua vez, a penitência a que somos chamados é a de praticar a misericórdia. E quem anda nesse caminho descobre o mundo das injustiças, da falta de solidariedade, da corrupção e do desejo do lucro sempre maior, que vai gerando vítimas pelo mundo afora. A falta de escolas, hospitais, moradia, a falta de dignidade humana, é o sinal claro de que o mundo precisa de misericórdia.

Então, fazer penitência é tomar consciência da verdade de Jesus e de seu ensinamento sobre a misericórdia. Não se trata simplesmente de cumprir um monte de regras e não praticar a misericórdia. É bom e importante fazer o jejum e passar um pouco de fome, para que eu saiba quanto dói a fome, mas principalmente para que eu tome consciência da dignidade humana e divina que há no direito de se ter o que comer.

É o que eu queria dizer para você, pois é assim que entendo o que é a penitência. Que tal a gente dar um passo a mais em nossa conversão?

Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R

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