Em Davos, Bolsonaro faz discurso curto e recebe críticas

O presidente Jair Bolsonaro fez ontem sua estreia internacional com um discurso de seis minutos no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Foi o primeiro chefe de Estado a falar no evento deste ano. Por meio do Twitter, Bolsonaro destacou que foi o primeiro líder de um país no Hemisfério Sul e de fora do G7, o grupo das nações mais ricas, a discursar na abertura do evento. A intervenção dele teria, a princípio, 45 minutos. Foi reduzida para meia hora. Mesmo com as questões, porém, não passou de 7 minutos. Houve críticas de analistas quanto à superficialidade das propostas apresentadas. A recepção do público local foi fria, com poucos aplausos ao final, indicando certa decepção, já que a procura por ingressos para garantir um lugar no auditório havia sido grande.

O discurso de Bolsonaro em Davos foi muito menor do que os feitos por outros presidentes brasileiros que participaram do Fórum. Em 2014, Dilma Rousseff falou por pouco mais de 32 minutos. Alguns anos depois, Michel Temer usou 30 minutos, incluindo perguntas. Já Luiz Inácio Lula da Silva fez três discursos na plenária de Davos, todos incluindo perguntas. Em 2003, falou por 28 minutos; em 2005, por 27 minutos; e em 2007, por 38 minutos.

Bolsonaro disse que o governo investirá “pesado” em segurança para que estrangeiros visitem mais o Brasil e que colocará o Brasil no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios. Ele também afirmou que pretende “avançar” na compatibilização da preservação ambiental e desenvolvimento.

O presidente destacou que pretende investir em educação e repetiu, mais uma vez, que deseja tirar o “viés ideológico” dos negócios realizados com outros países, “visando o comércio com aqueles que comungam com práticas semelhantes à nossa”.

Sobre corrupção, ele apresentou à plateia o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, como “homem certo” para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro e disse que assumiu a Presidência da República com uma “profunda crise ética, moral e econômica”.

O discurso curto foi considerado raso e sem detalhes. No final da plenária em que o presidente brasileiro discursou, a principal crítica veio de Robert Shiller, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2013,  considerado um dos maiores economistas do mundo. “Ele me dá medo. O Brasil é um país grande e merece alguém melhor”, disse o economista a um repórter do jornal Valor.

Novamente questionado pelo repórter se o discurso de Bolsonaro não havia passado uma boa impressão, Shiller ponderou que “foi uma benção”, mas em seguida voltou a criticar, em tom irônico: “O discurso de Trump no ano passado também foi”.

Não foi só Shiller que fez criticas ao presidente. Brian Winter, diretor do Council of the Americas e editor-chefe do Americas Quartely, afirmou que o “discurso do presidente foi bem menor do que o esperado” e, segundo ele, um amigo teria classificado a intervenção do capitão da reserva como “bizarra”.

Jornalistas estrangeiros também teceram críticas ao discurso de Jair Bolsonaro. Sylvie Kaufmann, do norte-americano The New York Times, chegou a dizer que Bolsonaro “não se encaixa ao público de Davos” e percebeu o tom de “campanha” de sua fala. “Discurso de campanha curto, muito generalista”, disparou. Na mesma linha foi  Heather Long, do Washington Post, que chamou a intervenção do presidente brasileiro de “enorme fiasco”.

Já o jornalista Jamil Chade, do jornal O Estado de São Paulo, disse que nunca viu no Fórum um discurso de presidente de menos de 10 minutos. Chade faz matérias sobre os acontecimentos de Davos há dez anos.

Confira discurso na íntegra:

 

Video reprodução : UOL

Da redação Carine Fernandes, com informações do sites, FORUM, CORREIO BRASILIENSE, FOLHA DE SÃO PAULO.

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