Em artigo, padre comenta COP-23 e o desafio ambiental

Em 1972, a Organização das Nações Unidas realizou em Estocolmo, Suécia, a primeira Cúpula Mundial sobre o meio ambiente, com a presença de 113 países e 250 organizações ambientais. Foi o despertar mundial para a questão ambiental, em um esforço concentrado para frear as mudanças climáticas.

De lá para cá outras duas Cúpulas mundiais foram realizadas, em 1992 no Rio de Janeiro, conhecida como Eco-92, seguida da Rio+10 em Johanesburgo na África do Sul em 2002 e depois a Rio+20, novamente no Rio de Janeiro, em 2012. Dentre estas Cúpulas Mundiais, a Eco-92 trouxe importantes avanços, como a Agenda 21, a questão do respeito à biodiversidade e a convenção sobre o clima. Depois dela, encontros anuais continuaram acontecendo, para monitorar especialmente a questão da biodiversidade e o as mudanças climáticas resultantes deste fenômeno, chamados de COP (Conferência das Partes).

A COP-1 aconteceu em 1995 em Berlim, Alemanha, e tem se repetido todos os anos em diversos países do mundo. Dentre esses encontros, o mais conhecido é a COP-3 ocorrida em 1997, na cidade de Kyoto, Japão, onde os líderes mundiais se comprometeram a reduzir a emissão de gases do efeito estufa, firmando um documento conhecido como Protocolo de Kyoto, que foi assinado por 175 países, menos pelos mais poluidores do mundo, que são os Estados Unidos e a China, sendo que o Presidente americano George W. Bush argumentou que isso atrapalharia a economia norte-americana.

Recentemente, na COP-21 acontecida em Paris, França, em 2015, o Presidente Barack Obama assinou esse Protocolo, mas seu sucessor na Casa Branca, Donald Trump, no ano passado, retirou essa assinatura, com o mesmo argumento de Bush em 1997.

Está acontecendo em Bonn, na Alemanha, desde segunda-feira passada, a Conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, a COP-23. A Doutrina social da Igreja sempre se preocupou com a questão ambiental, mesmo antes dela entrar na pauta de preocupação dos movimentos sociais, dos governos e da ONU.

São inúmeras as referências e orientações em documentos e mensagens dos Pontífices, desde João XXIII, passando por Paulo VI, João Paulo II e especialmente o Papa Francisco. E ela o faz por um motivo muito simples: o ser humano foi encarregado por Deus de cuidar da criação, do grande jardim onde foi colocado por vontade amorosa do Criador.

Este assunto interessa à doutrina social também porque, como afirma o Papa Francisco na encíclica “Laudato Si”, a questão ambiental está indissoluvelmente unida à questão social, pois em geral são os pobres os que mais padecem com as mudanças climáticas, a desertificação, a escassez de água e outros males. Além disso, afirma o Pontífice que o planeta Terra é o mais pobre dentre os pobres e sofre terrivelmente as consequências do descaso para com o meio ambiente.

A solução não é simples e imediata, mas passa por políticas ambientais internacionais, contando com a adesão dos governos nacionais. É necessária uma mudança civilizacional, que passe da utilização de matriz energética de combustível fóssil para matrizes energéticas sustentáveis, como a eólica e a solar. É fundamental, sobretudo, passar de uma mentalidade consumista para uma vida de sobriedade.

Vamos esperar bons resultados da COP-23. Tudo que fizermos pelo meio ambiente ainda será pouco, diante da gravidade da situação. O tempo urge. A Terra grita. Deus perdoa sempre, o homem de vez em quando, mas a natureza nunca.

Fonte Canção Nova online

PASCOM

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