É nossa obrigação estender a mão e acolher, salienta Dom Mario Antônio

Existe tráfico humano entre a Venezuela e o Brasil? Como a Igreja pode ajudar, na assistência e denúncia? Preocupada com a situação dos imigrantes e sua condição de vulnerabilidade, a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está realizando entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março em Pacaraima (RR) e Boa Vista (RR) a “Missão Fronteira Venezuela” de 2018.

O número de venezuelanos que solicitaram refúgio no Brasil vem crescendo vertiginosamente nos últimos anos. Os dados do Ministério da Justiça revelam que até março de 2017, 8.231 migrantes pediram refúgio no país. O número superou os dados dos seis anos anteriores.

Em sintonia com o bispo de Roraima, Dom Mário Antônio Silva e o bispo de Santa Elena de Uiarén-Venezuela, Dom Felipe González González, a missão conta com a participação do bispo da diocese de Balsas (MA) e Presidente da CEPEETH, Dom Enemésio Lazzaris, do bispo auxiliar da arquidiocese de Porto Alegre (RS) e membro da CEPEETH, Dom Adilson Pedro Busin, o assessor da CEPEETH, Frei Olavio Dotto, e a secretária, Irmã Claudina Scapini.

Segundo Dom Mário Antônio, só nos primeiros meses do ano, estima-se que chegaram ao Brasil cerca de 18 mil migrantes venezuelanos. Por dia, segundo o prelado, são cerca de 400 novas pessoas cruzando a fronteira entre os dois países. “Sabemos que é uma realidade delicada, uma situação emergente, humanitária e de muita necessidade de acolhida, como nos ensina o papa Francisco”.

Também fazem parte colaboradores nomeados pela CNBB, representantes da Comissão Justiça e Paz-Regional Norte 2 da CNBB, Setor Mobilidade Humana da CNBB, Comissão Pastoral da Terra(CPT), Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM), Cáritas Brasileira, Rede Um Grito pela Vida da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Pastoral dos Migrantes (SPM), Pastoral do Menor, Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil).

“É nossa obrigação estender a mão, acolher e fazer aquilo que o Evangelho nos aconselha, como o próprio Jesus nos pediu: ‘Amar uns aos outros, como Ele nos amou ”

A Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano foi criada em outubro de 2016, pelo Conselho Permanente da CNBB, como forma de dar continuidade as atividades do Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Tráfico Humano, criado em 2012. Essa comissão é composta por quatro bispos, um assessor, uma secretária e colaboradores.

A CEPEEPH tem como missão, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, ser presença viva e profética no enfrentamento ao tráfico humano, como violação da dignidade e da liberdade, defendendo a vida dos filhos e filhas de Deus. E como objetivo geral fortalecer a atuação de enfrentamento ao tráfico humano em suas múltiplas formas, e a atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade e de tráfico, contribuindo para transformar as estruturas e as práticas que alimentam a existência dessa chaga social.

Segundo Dom Enemésio Lazzaris: “A Missão Fronteiras faz parte dos esforços da CEPEETH para compreender a situação que afeta aos irmãos e irmãs venezuelanos que chegaram à fronteira do Brasil, de forma a facilitar a elaboração de uma proposta para um maior envolvimento da Igreja frente à essa realidade”.

Fonte CNBB

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