Dom Gerardo estendeu seu episcopado com rádio social.

Um dia quente em Petrolina. Oficiais de justiça e policia tinham   em mãos ordem expressa da justiça para reintegração de posse. Um bloco de emedebistas históricos, (atual PMDB) liderados por Joaquim Florêncio, economista e livreiro, o vereador Rui Amorim além da solidariedade que vinha do Recife dos ases da oposição, Marcos Freire e Jarbas Vasconcelos. A Vila Papelão rosnava entre a fome e coragem pra não sair do lugar. Há  três quilômetros daquele burburinho, o bispo de Petrolina, Dom Gerardo Andrade Ponte, entre uma garfada e outra no prato que combinava comida caseira com providência integral, permanecia em sua serenidade sob suas convicções de padre de Deus e padre daquela gente que lhe dirigia esperança. O palácio episcopal da Praça Dom Malan bafejava aquele calor inclemente do meio dia. Entre a prefeitura da Guararapes e o território áspero da barulhenta Areia Branca, o prefeito Diniz Cavalcanti também se articulava. A explosão fundiária e a bomba demográfica passeavam irreverentes em seu gabinete. Diniz era aliado dos governos estadual e federal. (de Marco Maciel e Ernesto Geisel), era da ARENA, mas de perfil populista. Nada combinando com o perfil de Maciel nem com  o rigor  de Geisel, alemão de sangue  frio. Diniz teve a intuição de não contrariar seus beatos de papelão filhos de José e Maria. Diniz preferiu afinar o discurso com os gatos pingados vermelhos . Num piscar de olhos, a inevitável e conflitante troca de grosserias entre invasores daquele chão sem dono. Ameaça e avanço da soldadesca de Marco Maciel e oficiais com papel de despejo público na mão. Era a mortandade à espreita que assola o meio dia. Interlocutores do Palácio do Bispo, enervados e cercados pela indefinição fundiária de porta adentro engoliram o apetite de Dom Gerardo que não conseguira terminar a refeição. Sobremesa e guardanapo, palitinho de escavacar dente, tudo ficara para trás. A Vila Papelão estava sendo cercada  para virar lixo. Dom Gerardo cercara-se de cuidados e uma reduzida assessoria de amigos da Diocese. O Palácio ficara para trás, a reportagem da Emissora Rural seguira com seus titulares à frente. Joaquim Florêncio , (da Kuka),  ciceroneava a marcha episcopal de Dom Gerardo.  Nada iria deter a policia de Maciel a mando da justiça local. O prefeito Diniz a essa altura fizera sua opção pelos flagelados de Maria Maga, que também integrara-se com sua inquestionável liderança aos deserdados da diocese, os homens e mulheres de papel, papelão. A Emissora Rural informava, Dom Gerardo intercedia, Diniz Cavalcanti diplomaticamente engendrava  a prefeitura. Um lado, ouvia Maciel, outro lado, dava cobertura e solidariedade. A diplomacia Diocesana de Dom Gerardo juntara-se agora á firme disposição do prefeito Diniz. A Vila Papelão naquela tarde incerta marchava para emancipar-se e virar num distante 1980, José e Maria, filho das muitas dores de parto duma Petrolina cobiçada pela explosão demográfica e machucada pela madrasta cartorial até hoje arredia, avessa ao cavalheirismo e gentileza fundiários. José e Maria viria na maioridade finalmente obter registro de nascimento oficial pela caneta afoita de seu mais novo prefeito, Julio Lóssio, aliado e governando reeleito com o escudo do PMDB de Michel Temer e Jarbas Vasconcelos e a couraça do DEM,  bisneto da ARENA de Guilherme Coelho e Marco Maciel . Dom Gerardo deixou naquela tarde o almoço pela metade no Palácio, mas garantiu o direito completo do concreto e da sombra do José e Maria.

Por Marcelo Damasceno.

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