Construir a cultura da paz

Enquanto caminhamos para a celebração da Páscoa do Senhor, decididos a um caminho de conversão e renovação da graça batismal, queremos construir a cultura da paz e concretizar as palavras de Jesus: “vos sois todos irmãos” (Mt 23,8). A Campanha da Fraternidade não quer ser somente uma bela mensagem ou uma oportunidade para aprofundar conhecimentos. Ela propõe um caminho evangélico de construção de relações fraternas, no seguimento de Jesus Cristo.

A superação da violência não se faz com mais violência: ofensas, armas, confrontos… Ela deve ser substituída por outra lógica de viver, baseada no amor, único instrumento eficaz para construir a paz. Nunca serão armas, de qualquer tipo, que possibilitarão relações fraternas. Assim como a violência não é natural no ser humano, mas fruto de uma aprendizagem pessoal, familiar e social, também a paz exige um processo educativo desejado, planejado e executado com persistência. Na base deste processo educativo está o amor, que compreendido de maneira cristã, supõe e vai além da própria justiça. Basta recordarmos que um dos pressupostos para a paz é o perdão e a reconciliação, que é um ensinamento tipicamente cristão, vivido e ensinado por Jesus, como expressão do amor que sabe ir além do “direito” de vingança e retribuição. Se não tivermos clareza e trabalharmos este nível humano-espiritual, não conseguiremos entender que, “além de propor à sociedade mudanças estruturais, exige empatia, ternura e compaixão em relação à violência na sociedade contemporânea” (Texto Base CF 2018, n.221).

Pequenos e cotidianos gestos, baseados no Evangelho, são imprescindíveis para a construção da paz. Ao se despedir de seus discípulos, Jesus lhes recomendou que se amassem do mesmo modo como foram por Ele amados (cf. Jo 15,9). Podemos, por exemplo,nos decidir a evitar palavras agressivas com quem convivemos; sermos mais tolerantes com os erros dos outros; respeitarmos o modo de ser e ver o mundo de quem pensa diferente de nós e ter clareza que não possuímos a única maneira de ver o mundo e as coisas; no trânsito, ser paciente; na família, ser educado e gentil; no trabalho, ser agradável e criar comunhão e não discórdias; nunca carregar ressentimentos de situações passadas mal resolvidas; somente amar e nunca odiar. Podemos, também, estimular a cultura da tolerância e do respeito nas redes sociais. Como as redes sociais se tornaram lugar de agressão e rigidez de posições! Escolher sempre o bem e nunca pagar o mal com o mal.

Outro nível de construção da paz passa por um olhar mais amplo do sistema social em que vivemos. Neste âmbito, a paz não é sinônimo de passividade, comodismo ou resignação. A indignação é salutar e necessária diante das injustiças que provocam violência ou diante da “cultura do descarte”, que privilegia o financeiro ao invés da pessoa humana e sua dignidade, que é um sistema que mata (cf. Papa Francisco). Neste sentido a paz se constrói pela solidariedade e compaixão com os que são vítimas deste sistema. Apoiar todas as iniciativas que privilegiem este olhar de acolhida e inclusão social é um caminho para a construção da paz. Como pode haver paz se continua a crescer a multidão dos que são “descartados”?

Desejamos que em todas as instâncias: famílias, escolas, grupos de reflexão nas comunidades, cursos, palestras, catequese e outros tantos lugares possamos refletir e aprofundar o tema da paz. Neste tempo favorável que nos é concedido, com os olhos fixos naquele que sofreu a violência na cruz, mas somente amou, empreendamos caminhos para construir a desejada paz.

Fonte CNBB

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