Campanha da Fraternidade

Em tempo de Quaresma, período próprio de conversão e mudança de vida interior, a Campanha da Fraternidade propõe atitudes responsáveis diante de temas que afetam a dignidade das pessoas. A violência destona da vida cristã e violenta a cultura da paz e da convivência. Então, violência e fraternidade, mesmo caminhando juntas, devem conduzir ao respeito e permitir a convivência fraterna.

Os dados atuais da violência são assustadores. As mortes trágicas se repetem a todo instante e machucam a vida familiar e a harmonia entre as pessoas. O caminho de Jesus Cristo, mesmo marcado pelas cenas violentas da paixão, propõe atitudes pacíficas e fundamentadas na prática do amor fraterno. Parece que a nova cultura não consegue tolerar fatos difíceis e desafiadores.

As pessoas hoje preferem partir para atitudes agressivas, culminando também com a morte e o sofrimento de famílias inteiras. O texto da Campanha diz que temos treze por cento dos assassinatos do mundo. A cifra é muito grande quando a população brasileira corresponde a apenas três por cento da população mundial. É urgente um processo de conversão e mudança de atitudes.

Existe a proposta do caminho de conversão no período quaresmal. Ele deve culminar com a Ressurreição de Jesus Cristo e a alegria da Páscoa na vida de cada cristão. Vivenciar esse processo significa superar atitudes de vingança, de ódio, de guardar sentimentos negativos contra o irmão. A fraternidade deve ser o novo nome da paz e da convivência em comunidade cristã e familiar.

Não é fácil falar ao coração das pessoas, porque existe a marca da fragilidade humana. A mídia e as redes sociais são um bom caminho, mas pouco se prestam a isso. Correm até o perigo de disseminar ainda muito mais violência e enclausuramento nos seus seguidores. Portanto, muita coisa precisa ser feita por quem tem consciência de sua missão como agente do bem viver.

A expectativa da Igreja tratando do tema “Fraternidade e superação da violência” é de atingir e sensibilizar os corações “envenenados” de atitudes contra o ser humano. Ela quer ajudar as pessoas na formação de consciência sobre o direito que as pessoas têm de viver na paz e livres no seu ir e vir. Os resultados podem não ser tão eficientes, mas alguma coisa de bom fica para a humanidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

Fonte CNBB

 

Categorias Destaque Notícias Religião