A pedra mais dura: a língua

Próximo da canonização de Dom Oscar Romero, queremos partilhar uma reflexão do Papa Francisco a respeito deste Bispo e Mártir que morreu pelo seu povo: “O martírio de Dom Romero não foi pontual, pois, antes, foi caluniado, difamado e enlameado em vida, ainda, depois de assassinado, continuaram a ultrajá-lo. Isto, se refletirmos, é bonito, pois mostra que, depois da morte, Dom Romero continuou a doar a sua vida.

Ele foi açoitado sem nenhuma comiseração, lapidado pela pedra mais dura: a língua”. À luz deste exemplo marcante, gostaria de mencionar o martírio em vida de dois irmãos muito queridos de nossa amada CNBB: Dom Hélder Câmara, o peregrino da esperança, da paz e da não violência e Dom Adriano Hypólito, o profeta da Baixada, no centenário de seu nascimento. Dom Hélder recebeu a alcunha de “Arcebispo Vermelho”, sendo seu nome proibido e censurado, na sua bondade e presença de espírito, afirmava: “Quando levo mantimentos para os pobres, me chamam de santo; quando pergunto por que há tantos pobres, me chamam de comunista”.

Mais tarde, numa entrevista (Opinião, 19/02/73), ele explicou: “Se amanhã o trabalhador pretende ser pessoa, interessando-se pelas novidades, freqüentando escolas radiofônicas, participando de sindicatos, falando de direitos, o patrão se persuade que há razões para se afirmar: é o sopro da subversão, ou seja, o comunismo. Então, sem a menor hesitação, sem o menor remorso, ele expulsa o trabalhador de suas terras e destrói, se necessário, o casebre que vivia com sua família”. Dom Adriano Hypólito, na noite de 22 de setembro de 1976, ao sair da Cúria, foi seqüestrado por 6 homens fortemente armados que o encapuzaram e o torturaram.

Uma vez solto, declarou: “Refleti sobre os motivos que levariam aqueles homens a me tirar a vida e conclui que aquilo tudo só podia ser consequência de minha atuação. A consciência disso me acalmou; preparei-me para morrer. Depois, esguicharam um spray de tinta vermelha em meu corpo, abandonaram-me algemado e nu numa rua escura de Jacarepaguá”. Quando Dom Adriano foi prestar queixa, a primeira pergunta feita pelo delegado de plantão foi: “Mas, o senhor é comunista?“.

Poucos dias depois, seu carro vazio explodia na porta da CNBB, no Largo da Glória -RJ. Sentimo-nos pequenos diante destes três irmãos que tanto fizeram pelos pobres e à humanidade inteira, apresentando de forma fiel e integral a Boa Nova do Evangelho. Que intercedam por nós para termos sempre, como eles, os dons da coerência e da coragem. Deus seja louvado!

Fonte CNBB

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