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A Amazônia pede socorro

Lideranças indígenas, a juventude amazônica, organizações de mulheres e um significativo número de religiosas, sacerdotes e leigos da pastoral social, com o bispo do Vicariato de Jaén, Dom Alfredo Vizcarra, se reuniram na Amazônia peruana para o VIII Fórum Social Pan-amazônico.

Delegações de Brasil, Colômbia, Peru,  Equador, Venezuela, Bolívia e Guiana Francesa concluíram os trabalhos no início de maio com a Carta de Tarapoto. O documento resume as principais temáticas debatidas nas 9 mesas de trabalho.

“Nós, povos amazônicos e andinos reafirmamos o compromisso com a vida e a natureza, convocando a construir e fortalecer uma grande aliança de povos baseada no reconhecimento e o respeito de nossas diversidades, convicções e dissensos”, afirma a Carta.

A Amazônia pede socorro, afirma o cientista Ivo Poletto.

Os mil e quinhentos participantes do VIII Fórum Social Panamazônico, realizado em Tarapoto, Peru, na semana passada, colocaram em comum e denunciaram os pedidos de socorro da Amazônia. E a greve geral de brasileiros e brasileiras praticamente parou o país, e esse gesto e as manifestações do dia 28 tornaram públicos os pedidos de socorro dos povos do Brasil.

Na Amazônia, pedem socorro os rios, a floresta, o solo, a biodiversidade, os povos. Estão sendo agredidos pela continuidade do que é falsamente denominado desenvolvimento, levando para lá o que fizeram em todo o país: derrubar a floresta para implantar seus projetos de enriquecimento através da exploração da natureza e dos trabalhadores. Exploram as águas com a construção de grandes hidrelétricas e vias de transporte fluvial. Exploram o solo com negócios de madeira e expansão do agronegócio de soja, cana-de-açúcar, pecuária, dendê. Exploram o subsolo com o aumento do número e tamanho das empresas de extração de minérios, petróleo, gás.

Trata-se de uma economia assentada na prática do extrativismo predatório, cujo objetivo é o enriquecimento de poucos através da retirada dos como bens comuns de toda a comunidade da vida criados pela Terra. O que sobra é o desequilíbrio do ambiente da vida e a insegurança de vida dos povos, pois seus territórios enfrentam invasões e ameaças violentas dos que desejam controlar e explorar tudo e todos.

Junto com os povos da Amazônia, toda a população brasileira está ameaçada pelas políticas que estão sendo impostas pelos governantes em nome e em favor dos ricos senhores do capitalismo neoliberal. Eles estão anulando os direitos trabalhistas e previdenciários. Querem que os senhores do capital possam explorar quanto quiserem os trabalhadores, e que estes não tenham como se defender, e sofram até o fim da vida, sem apoios quando não puderem mais trabalhar. Para isso, mentem e mentem, afirmando que a Previdência está quebrada e quebrará o país, quando se sabe que quem está quebrando o país são os empresários e o governo, e os poucos que cobram metade do orçamento federal na forma de juros de uma dívida pública que nunca passou por uma auditoria.

Amigas e amigos, se não salvarmos a Amazônia, teremos crises de água e muito sofrimento; se não salvarmos os direitos dos trabalhadores, seremos um país ainda mais injusto e fonte de violências”.

Fonte Rádio Vaticano

Por Dida Maria

Estagiária

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